Manuais em HagáQuê
Artigo apresentado na III Semana do Software Livre na UFBA/ FACED - Maio/ 2007
Cacilda da Silva Rodrigues1
Leila Alvarenga Lage2
Luciana Zenha Cordeiro3
Ramon Orlando Filho4
1 - Estudante do Curso de Pedagogia da UEMG . Campus Belo Horizonte (UEMG/ FaE/ CBH) e Bolsista Fapemig no projeto de Extensão: Análise de softwares para inclusão de alunos com necessidades especiais no ensino superior e na educação básica. cacilda.rodrigues@gmail.com
2 - Estudante do Curso de Pedagogia da UEMG . Campus Belo Horizonte (UEMG/ FaE/ CBH) e Bolsista Fapemig no projeto de Extensão: Análise de softwares para inclusão de alunos com necessidades especiais no ensino superior e na educação básica. leilalagepedagogia@gmail.com
3 - Mestre em Educação. Professora da Faculdade de Educação da Universidade do Estado de Minas Gerais. Coordenadora do Núcleo de Estudos sobre Educação, Comunicação e Tecnologia (NECT/FAE/CBH/UEMG). Coordenadora do Centro de Pesquisa em Educação a Distância - CEPEAD.luciana.zenha@gmail.com
4 - Estudante do Curso de Pedagogia da UEMG . Campus Belo Horizonte (UEMG/ FaE/ CBH) e Bolsista Fapemig no projeto de Extensão: Análise de softwares para inclusão de alunos com necessidades especiais no ensino superior e na educação básica. ramonrof@gmail.com
Resumo
Este artigo é o resultado da experiência de produção de manuais sobre softwares para inclusão de alunos com necessidades especiais no ensino superior e na Educação Básica com uso do software livre HagáQuê. Esse estudo faz parte de um projeto de Extensão Universitária financiado pela FAPEMIG e realizado por três estudantes do curso de Graduação em Pedagogia da Universidade do Estado
de Minas Gerais, orientados pela professora Mestre em Educação Luciana Zenha. Os softwares selecionados são Comunique, DosVox, Jaws, Motrix e Virtual Vision. Desejamos fazer um estudo, elaboração de manuais pedagógicos e oferecimento de mini-cursos para professores Universitários e de Educação Básica. Procura-se com base na construção desses manuais refletir sobre o uso dos softwares livres que foquem a inclusão social e digital desses alunos. A proposta é analisa-los e apresenta-los aos professores que lecionam para alunos com necessidades especiais. Indicar que a limitação que os alunos possuem podem ser minimizadas a partir do uso das possibilidades tecnológicas existentes hoje em nossa sociedade. Analisar a construção de manuais pedagógicos em formato de Histórias em quadrinhos com uso do software HagáQuê e contribuir na formação continuada e inclusão de alunos com necessidades especiais no ensino superior e na Educação Básica é nosso objetivo.
Palavras-chave: Software livre, HagáQuê, inclusão, educação especial, formação continuada.
O software HagáQuê é um programa livre criado no ano 2001 por Silvia Amélia Bim como trabalho de conclusão do mestrado em ciências da computação na Unicamp com o objetivo de oferecer recursos que viabilizem a criação de Histórias em Quadrinhos (HQs) com fins pedagógicos.
O software foi criado para ser utilizado por crianças do 1º e 2º ciclo, entretanto não se restringe a essa faixa etária tendo em vista que é utilizado pelos mais diversos usuários. Ele é estruturado de forma simples a fim de facilitar o uso, e é utilizado desde crianças a adultos incluindo pessoas com necessidades especiais. No caso em nosso projeto o utilizaremos como ferramenta de produção de material didático.
Estamos utilizando o Software HagáQuê para criação de manuais pedagógicos de alguns softwares para inclusão de alunos com necessidades especiais. Os manuais freqüentemente são elaborados de forma pouco atrativa.Podemos observar o acervo de manuais que temos em casa, como por exemplo, o manual do vídeo
cassete, do microondas, do computador, entre outros que não incentivam a leitura e o seu uso, tão pouco despertam a curiosidade. Às vezes são estruturados com uma difícil leitura, seja pela linguagem, ou pela estruturação frasal e formatação que os usuários dos produtos optam por tentar descobrir sozinhos como funciona o aparelho e quando recorrem ao manual é somente para tirar dúvidas. Nossa proposta é criar manuais realmente pedagógicos que sejam atrativos, informativos e divertidos.
O software HagáQuê apresenta várias ferramentas que possibilitam a produção de uma história em quadrinhos. Sua possibilidade principal é a de incorporar cenários, personagens, balões, sons e textos para produção de páginas. Todos esses elementos estão presentes no software, mas também podem ser incluídos através da coleta de imagens, sons e textos externos ao software: podem ser digitalizados, escaneados ou captados via internet.
Além disso, estamos descobrindo maneiras criativas de associar a linguagem de história em quadrinhos à linguagem científica e própria dos portadores textuais presentes nos manuais.
Iniciamos a construção dos manuais com o objetivo de encontrarmos no software HagáQuê recursos necessários para essa criação. Faremos a partir desse momento uma apresentação do projeto de extensão que é o nosso objetivo e pelo qual vinculamos o uso do software HagáQuê como meio para construção dos manuais em formato de Histórias em Quadrinhos. O projeto de Extensão possui como temática o estudo dos softwares Comunique, DosVox, Jaws, Motrix e Virtual Vision como recursos tecnológicos que viabilizem e facilitem o uso do computador por alunos com necessidades especiais.
Os manuais serão produzidos na versão digital e impressa. Junto à produção e leitura dos manuais pelo público alvo imediato: professores universitários e do ensino básico, acontecerá à formação continuada que pretende alcançar as seguintes etapas: 1º distribuição do software, 2º Instalação autônoma do software pelo professor, 3º Navegação e conhecimento de todas as ferramentas do software, 4º Discussão e aprimoramento do uso do software através de dúvidas e problemas que ocorrerem, 5º implantação do uso do software na escola onde o professor leciona.
Além dos professores levarem os manuais digital e impresso, os softwares eles vivenciarão 10 horas de oficina e duas horas de acompanhamento in loco na interação professor, software e aluno com necessidades especiais. Os softwares que fazem parte do projeto de extensão são: Comunique, DosVox, Jaws, Motrix e Virtual Vision e suas especificidades serão apresentadas nos próximos parágrafos.
Comunique
O Software Comunique[1] foi desenvolvido pela Terapeuta Ocupacional, Miryam Bonadiu Pelosi[2] tendo como objetivo trabalhar a comunicação alternativa oral e escrita de pessoas com necessidades especiais que apresentam problemas motores graves.
Atualmente o computador trata-se de um importante recurso tecnológico a ser utilizado por pessoas com Paralisia Cerebral. O computador tornou-se uma ferramenta auxiliar de comunicação para as pessoas com comprometimentos nos
órgãos da fala e com dificuldades motoras.
Inicialmente o Comunique era um programa de comunicação muito simples, mesmo após algumas reformulações o Comunique Desenho, apresentou-se ainda
insuficiente para atender as necessidades de comunicação de seus usuários. O fato de o atendimento ser a pessoas de diferentes idades, houve pessoas que apresentavam dificuldades para manusear com as seis informações presentes na tela, enquanto outras, as consideravam extremamente pequena e limitada. Posteriormente criou-se o Comunique Scan, ainda na versão DOS. Agora, no Software era possível trabalhar com letras e palavras. O numero de células, o tamanho e o tipo de letra podiam ser facilmente modificados. O escaneamento era
realizado da seguinte forma: varredura; por linhas ou colunas e também pelo método tradicional feito de célula por célula. E na programação, por manter o editor de textos não foi possível trabalhar com a manipulação de imagens. Já a versão atual, utilizou-se para o seu desenvolvimento o programa Visual Basic que englobou o Comunique Desenho e o Comunique Scan. O Software Comunique foi desenvolvido para Windows 95 e sua programação pode ser realizada na própria tela com o uso de recursos audiovisuais e interativos da plataforma do sistema operacional Windows.
O Comunique permite ao profissional que acompanha o individuo com Paralisia Cerebral, traumatismo craniano, lesão medular ou acidente vascular cerebral desenvolver um programa personalizado, a fim de atender as especificidades, interesses e necessidades de seus usuários. Visto que, os mesmos podem apresentar dificuldades motoras graves com potencial de comunicação, cognição, visual e motor diversificados.
DosVox
O DosVox foi criado por José Antônio Borges[3] em 1993 na tentativa de produzir um software que viabilizasse um aluno cego cursar a disciplina Computação Gráfica na Universidade Federal do Rio de Janeiro e constitui o primeiro software desenvolvido para cegos cuja síntese de voz ocorre no idioma português.
O DosVox é um software de comunicação utilizado por deficientes visuais através da síntese de vós em Português, desse modo é possibilitada ao aluno cego a comunicação com o computador e conseqüentemente a viabilidade de adquirir autonomia na realização de atividades.
A maioria das vozes sonoras emitidas pelo DosVox é feita por voz humana gravada, o que faz ser um sistema com reduzido índice de estresse para o usuário, mesmo em grande escala de uso.
Jaws
O Jaws é um software proprietário criado pela empresa Norte Americana "Henter-Joyce. e traduzido para o português pela Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual . LAMARA. O Jaws é adaptado para ser utilizado com o sistema operacional windows e funciona assim como o DosVox por meio de síntese de vós, entretanto apenas lê as informações da tela e não cria uma plataforma própria para o usuário cego como o DosVox. O Jaws permite o uso dos softwares e aplicativos do windows como: Office, corel world perfect, entre outros. No Jaws há opções de 10 idiomas para leitura, como: português do Brasil, inglês americano e britânico, alemão, italiano, espanhol, francês, etc. O Jaws também possibilita o envio de informações em código braile, o que amplia as possibilidades de uso do computador.
Motrix
O Motrix5 assim como o DosVox foi desenvolvido pelo núcleo de computação gráfica da Universidade Federal de Rio de Janeiro . UFRJ coordenado pelo professor José Antônio Borges.
O Motrix possibilita que pessoas com graves comprometimentos motores e deficiência motora grave, em especial o quadro de tetraplegia e distrofia muscular, utilizem o computador. O software permite que o usuário se comunique com o computador por meio de sons falados por um microfone e desse modo faça uso da
internet e de outros recursos que tendem a ampliar sua escrita, leitura e comunicação.
O Motrix permite a excussão de quase todas tarefas realizadas por pessoas sem deficiência. Os jogos, por exemplo, funcionam por um mecanismo inteligente, no qual o computador realiza a parte motora e o aluno expressa seu raciocínio. O único esforço físico que o usuário do Motrix faz é para ligar o computador, a partir dessa ação todas são desencadeadas pela síntese de voz.
Virtual Vision
O Virtual Vision[4] é um software leitor de tela adaptado para windows, fabricado pela MicroPower e distribuído gratuitamente para deficientes visuais pelos bancos Real e Bradesco. Esse software assemelha-se ao Jaws, na medida em que ambos se propõe a ler a tela do computador e possibilitar o uso pelo aluno cego.
Considerações
Para PAPERT, os computadores deveriam servir aos usuários como instrumentos com os quais trabalhar e pensar sejam meios para realizar projetos, como fonte de conceitos a fim de pensar novas idéias.
Alguns softwares que desenvolvem atividades de exercício e prática ou jogos são utilizados apenas como complemento ou reforço das atividades executadas pelos alunos em sala de aula. Entretanto, há softwares abertos como as linguagens de programação, os sistemas de autoria para a construção de multimídia e os processadores de texto que possibilitam ao aluno uma utilização mais efetiva do computador. Para que ocorra uma interação eficaz entre o aluno e a máquina é necessário que haja a intervenção de um profissional que compreenda o significado efetivo do processo de ensino-aprendizagem e que valorize os recursos computacionais disponíveis.
As inovações tecnológicas dos tempos atuais proporcionaram um grande avanço na informática e nas linguagens de programação utilizadas na educação especial. Desta forma o computador pode ser adaptado às diferentes necessidades de cada indivíduo e ser mais que um instrumento de registro para o deficiente físico, mas uma fonte de leitura e escrita para o deficiente visual e um objeto de desafio para o deficiente mental. O computador atua, portanto como um mediador na interação do aluno com necessidades especiais e o mundo.
Em nosso projeto de extensão o computador com suas ferramentas livres e softwares de livre acesso possibilitarão a produção de materiais didáticos – os manuais, para inclusão digital dos professores que trabalham com alunos com necessidades especiais. Esse é o nosso desafio, essa é a nossa liberdade.
Referências
Associação Brasileira de assistência ao deficiente visual. Disponível em: http://www.laramara.org.br/jaws.htm. Acesso em: 07 de março de 2007. BIM, Silvia Amélia. HagáQuê: editor de histórias em quadrinhos. São Paulo:
unicamp, 2001. Dissertação.
Cacilda da Silva Rodrigues1
Leila Alvarenga Lage2
Luciana Zenha Cordeiro3
Ramon Orlando Filho4
1 - Estudante do Curso de Pedagogia da UEMG . Campus Belo Horizonte (UEMG/ FaE/ CBH) e Bolsista Fapemig no projeto de Extensão: Análise de softwares para inclusão de alunos com necessidades especiais no ensino superior e na educação básica. cacilda.rodrigues@gmail.com
2 - Estudante do Curso de Pedagogia da UEMG . Campus Belo Horizonte (UEMG/ FaE/ CBH) e Bolsista Fapemig no projeto de Extensão: Análise de softwares para inclusão de alunos com necessidades especiais no ensino superior e na educação básica. leilalagepedagogia@gmail.com
3 - Mestre em Educação. Professora da Faculdade de Educação da Universidade do Estado de Minas Gerais. Coordenadora do Núcleo de Estudos sobre Educação, Comunicação e Tecnologia (NECT/FAE/CBH/UEMG). Coordenadora do Centro de Pesquisa em Educação a Distância - CEPEAD.luciana.zenha@gmail.com
4 - Estudante do Curso de Pedagogia da UEMG . Campus Belo Horizonte (UEMG/ FaE/ CBH) e Bolsista Fapemig no projeto de Extensão: Análise de softwares para inclusão de alunos com necessidades especiais no ensino superior e na educação básica. ramonrof@gmail.com
Resumo
Este artigo é o resultado da experiência de produção de manuais sobre softwares para inclusão de alunos com necessidades especiais no ensino superior e na Educação Básica com uso do software livre HagáQuê. Esse estudo faz parte de um projeto de Extensão Universitária financiado pela FAPEMIG e realizado por três estudantes do curso de Graduação em Pedagogia da Universidade do Estado
de Minas Gerais, orientados pela professora Mestre em Educação Luciana Zenha. Os softwares selecionados são Comunique, DosVox, Jaws, Motrix e Virtual Vision. Desejamos fazer um estudo, elaboração de manuais pedagógicos e oferecimento de mini-cursos para professores Universitários e de Educação Básica. Procura-se com base na construção desses manuais refletir sobre o uso dos softwares livres que foquem a inclusão social e digital desses alunos. A proposta é analisa-los e apresenta-los aos professores que lecionam para alunos com necessidades especiais. Indicar que a limitação que os alunos possuem podem ser minimizadas a partir do uso das possibilidades tecnológicas existentes hoje em nossa sociedade. Analisar a construção de manuais pedagógicos em formato de Histórias em quadrinhos com uso do software HagáQuê e contribuir na formação continuada e inclusão de alunos com necessidades especiais no ensino superior e na Educação Básica é nosso objetivo.
Palavras-chave: Software livre, HagáQuê, inclusão, educação especial, formação continuada.
O software HagáQuê é um programa livre criado no ano 2001 por Silvia Amélia Bim como trabalho de conclusão do mestrado em ciências da computação na Unicamp com o objetivo de oferecer recursos que viabilizem a criação de Histórias em Quadrinhos (HQs) com fins pedagógicos.
O software foi criado para ser utilizado por crianças do 1º e 2º ciclo, entretanto não se restringe a essa faixa etária tendo em vista que é utilizado pelos mais diversos usuários. Ele é estruturado de forma simples a fim de facilitar o uso, e é utilizado desde crianças a adultos incluindo pessoas com necessidades especiais. No caso em nosso projeto o utilizaremos como ferramenta de produção de material didático.
Estamos utilizando o Software HagáQuê para criação de manuais pedagógicos de alguns softwares para inclusão de alunos com necessidades especiais. Os manuais freqüentemente são elaborados de forma pouco atrativa.Podemos observar o acervo de manuais que temos em casa, como por exemplo, o manual do vídeo
O software HagáQuê apresenta várias ferramentas que possibilitam a produção de uma história em quadrinhos. Sua possibilidade principal é a de incorporar cenários, personagens, balões, sons e textos para produção de páginas. Todos esses elementos estão presentes no software, mas também podem ser incluídos através da coleta de imagens, sons e textos externos ao software: podem ser digitalizados, escaneados ou captados via internet.
Além disso, estamos descobrindo maneiras criativas de associar a linguagem de história em quadrinhos à linguagem científica e própria dos portadores textuais presentes nos manuais.
Iniciamos a construção dos manuais com o objetivo de encontrarmos no software HagáQuê recursos necessários para essa criação. Faremos a partir desse momento uma apresentação do projeto de extensão que é o nosso objetivo e pelo qual vinculamos o uso do software HagáQuê como meio para construção dos manuais em formato de Histórias em Quadrinhos. O projeto de Extensão possui como temática o estudo dos softwares Comunique, DosVox, Jaws, Motrix e Virtual Vision como recursos tecnológicos que viabilizem e facilitem o uso do computador por alunos com necessidades especiais.
Os manuais serão produzidos na versão digital e impressa. Junto à produção e leitura dos manuais pelo público alvo imediato: professores universitários e do ensino básico, acontecerá à formação continuada que pretende alcançar as seguintes etapas: 1º distribuição do software, 2º Instalação autônoma do software pelo professor, 3º Navegação e conhecimento de todas as ferramentas do software, 4º Discussão e aprimoramento do uso do software através de dúvidas e problemas que ocorrerem, 5º implantação do uso do software na escola onde o professor leciona.
Além dos professores levarem os manuais digital e impresso, os softwares eles vivenciarão 10 horas de oficina e duas horas de acompanhamento in loco na interação professor, software e aluno com necessidades especiais. Os softwares que fazem parte do projeto de extensão são: Comunique, DosVox, Jaws, Motrix e Virtual Vision e suas especificidades serão apresentadas nos próximos parágrafos.
Comunique
O Software Comunique[1] foi desenvolvido pela Terapeuta Ocupacional, Miryam Bonadiu Pelosi[2] tendo como objetivo trabalhar a comunicação alternativa oral e escrita de pessoas com necessidades especiais que apresentam problemas motores graves.
A tecnologia, mais especificamente a Tecnologia Assistiva, não é uma descoberta
recente do homem. As pessoas nas mais diferentes culturas através da história
criaram adaptações e utilizaram ferramentas especiais e equipamentos para ajudar
as pessoas com necessidades especiais em suas sociedades. KING,1999.
Atualmente o computador trata-se de um importante recurso tecnológico a ser utilizado por pessoas com Paralisia Cerebral. O computador tornou-se uma ferramenta auxiliar de comunicação para as pessoas com comprometimentos nos
órgãos da fala e com dificuldades motoras.
Inicialmente o Comunique era um programa de comunicação muito simples, mesmo após algumas reformulações o Comunique Desenho, apresentou-se ainda
insuficiente para atender as necessidades de comunicação de seus usuários. O fato de o atendimento ser a pessoas de diferentes idades, houve pessoas que apresentavam dificuldades para manusear com as seis informações presentes na tela, enquanto outras, as consideravam extremamente pequena e limitada. Posteriormente criou-se o Comunique Scan, ainda na versão DOS. Agora, no Software era possível trabalhar com letras e palavras. O numero de células, o tamanho e o tipo de letra podiam ser facilmente modificados. O escaneamento era
realizado da seguinte forma: varredura; por linhas ou colunas e também pelo método tradicional feito de célula por célula. E na programação, por manter o editor de textos não foi possível trabalhar com a manipulação de imagens. Já a versão atual, utilizou-se para o seu desenvolvimento o programa Visual Basic que englobou o Comunique Desenho e o Comunique Scan. O Software Comunique foi desenvolvido para Windows 95 e sua programação pode ser realizada na própria tela com o uso de recursos audiovisuais e interativos da plataforma do sistema operacional Windows.
O Comunique permite ao profissional que acompanha o individuo com Paralisia Cerebral, traumatismo craniano, lesão medular ou acidente vascular cerebral desenvolver um programa personalizado, a fim de atender as especificidades, interesses e necessidades de seus usuários. Visto que, os mesmos podem apresentar dificuldades motoras graves com potencial de comunicação, cognição, visual e motor diversificados.
DosVox
O DosVox foi criado por José Antônio Borges[3] em 1993 na tentativa de produzir um software que viabilizasse um aluno cego cursar a disciplina Computação Gráfica na Universidade Federal do Rio de Janeiro e constitui o primeiro software desenvolvido para cegos cuja síntese de voz ocorre no idioma português.
O DosVox é um software de comunicação utilizado por deficientes visuais através da síntese de vós em Português, desse modo é possibilitada ao aluno cego a comunicação com o computador e conseqüentemente a viabilidade de adquirir autonomia na realização de atividades.
A maioria das vozes sonoras emitidas pelo DosVox é feita por voz humana gravada, o que faz ser um sistema com reduzido índice de estresse para o usuário, mesmo em grande escala de uso.
Jaws
O Jaws é um software proprietário criado pela empresa Norte Americana "Henter-Joyce. e traduzido para o português pela Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual . LAMARA. O Jaws é adaptado para ser utilizado com o sistema operacional windows e funciona assim como o DosVox por meio de síntese de vós, entretanto apenas lê as informações da tela e não cria uma plataforma própria para o usuário cego como o DosVox. O Jaws permite o uso dos softwares e aplicativos do windows como: Office, corel world perfect, entre outros. No Jaws há opções de 10 idiomas para leitura, como: português do Brasil, inglês americano e britânico, alemão, italiano, espanhol, francês, etc. O Jaws também possibilita o envio de informações em código braile, o que amplia as possibilidades de uso do computador.
Motrix
O Motrix5 assim como o DosVox foi desenvolvido pelo núcleo de computação gráfica da Universidade Federal de Rio de Janeiro . UFRJ coordenado pelo professor José Antônio Borges.
O Motrix possibilita que pessoas com graves comprometimentos motores e deficiência motora grave, em especial o quadro de tetraplegia e distrofia muscular, utilizem o computador. O software permite que o usuário se comunique com o computador por meio de sons falados por um microfone e desse modo faça uso da
internet e de outros recursos que tendem a ampliar sua escrita, leitura e comunicação.
O Motrix permite a excussão de quase todas tarefas realizadas por pessoas sem deficiência. Os jogos, por exemplo, funcionam por um mecanismo inteligente, no qual o computador realiza a parte motora e o aluno expressa seu raciocínio. O único esforço físico que o usuário do Motrix faz é para ligar o computador, a partir dessa ação todas são desencadeadas pela síntese de voz.
Virtual Vision
O Virtual Vision[4] é um software leitor de tela adaptado para windows, fabricado pela MicroPower e distribuído gratuitamente para deficientes visuais pelos bancos Real e Bradesco. Esse software assemelha-se ao Jaws, na medida em que ambos se propõe a ler a tela do computador e possibilitar o uso pelo aluno cego.
Considerações
Para PAPERT, os computadores deveriam servir aos usuários como instrumentos com os quais trabalhar e pensar sejam meios para realizar projetos, como fonte de conceitos a fim de pensar novas idéias.
Alguns softwares que desenvolvem atividades de exercício e prática ou jogos são utilizados apenas como complemento ou reforço das atividades executadas pelos alunos em sala de aula. Entretanto, há softwares abertos como as linguagens de programação, os sistemas de autoria para a construção de multimídia e os processadores de texto que possibilitam ao aluno uma utilização mais efetiva do computador. Para que ocorra uma interação eficaz entre o aluno e a máquina é necessário que haja a intervenção de um profissional que compreenda o significado efetivo do processo de ensino-aprendizagem e que valorize os recursos computacionais disponíveis.
As inovações tecnológicas dos tempos atuais proporcionaram um grande avanço na informática e nas linguagens de programação utilizadas na educação especial. Desta forma o computador pode ser adaptado às diferentes necessidades de cada indivíduo e ser mais que um instrumento de registro para o deficiente físico, mas uma fonte de leitura e escrita para o deficiente visual e um objeto de desafio para o deficiente mental. O computador atua, portanto como um mediador na interação do aluno com necessidades especiais e o mundo.
Em nosso projeto de extensão o computador com suas ferramentas livres e softwares de livre acesso possibilitarão a produção de materiais didáticos – os manuais, para inclusão digital dos professores que trabalham com alunos com necessidades especiais. Esse é o nosso desafio, essa é a nossa liberdade.
Referências
Associação Brasileira de assistência ao deficiente visual. Disponível em: http://www.laramara.org.br/jaws.htm. Acesso em: 07 de março de 2007. BIM, Silvia Amélia. HagáQuê: editor de histórias em quadrinhos. São Paulo:
unicamp, 2001. Dissertação.
BORGES, José Antônio. DosVox. Núcleo de Eletrônica da UFRJ. Disponível em http://intervox.nce.ufrj.br/dosvox/. Acesso em: 06 de março de 2007.
___________. Motrix. Núcleo de Eletrônica da UFRJ. Disponível em http://intervox.nce.ufrj.br/motrix/. Acesso em: 07 de março de 2007.
MARCUSCHI, Antônio Luiz; XAVIER, Antônio Carlos Orgs. Hipertexto e gêneros digitais: novas formas de construção de sentido. 2. ed. Rio de Janeiro: Lucerna, 2005. Micropower. Disponível em:
http://www.micropower.com.br/v3/pt/acessibilidade/index.asp. Acesso em 07 de março de 2007.
PAPERT, Seymour. A máquina das crianças: repensando a escola na era da informática. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994.
TRABER, Michael. A comunicação é parte da natureza humana: uma reflexão filosófica a respeito do direito a se comunicar. Universidade Metodista de São Paulo, 2004. Disponível em: http://www.intervozes.org.br/artigos.htm. Acesso em: 28 de fevereiro de 2007.
PELANDA, Nize Maria Campos. Inclusão digital: Tecendo redes afetivas/ cognitivas. Rio de Janeiro: DP&A, 2005.
VALENTE, José Armando. Liberando a mente: computadores na educação especial. Campinas: Unicamp, 1991.
_______. Aprendendo para a vida: o uso da informática na educação especial. In: FREIRE, Fernanda Maria Pereira; VALENTE, José Armando (Orgs.). Aprendendo para a vida: os computadores na sala de aula. São Paulo: Cortez, 2001.
Notas:
[1] O download do software Comunique pode ser feito pelo site: http: //www.tecnologiaassistiva.com.br/
[2] Terapeuta Ocupacional, coordenadora do Centro de Terapia Ocupacional do Rio de Janeiro. Mestre em Educação.
Psicopedagoga.
[3] Informático pela UFRJ, e M. Sc. pela COPPE-UFRJ. Trabalha desde 1974 no Núcleo de Computação Eletrônica da
Universidade Federal do Rio de Janeiro. Hoje é o coordenador do Projeto DOSVOX
[4] O download do software Motrix pode ser feito pelo site: http://intervox.nce.ufrj.br/motrix/download.htm
Notas:
[1] O download do software Comunique pode ser feito pelo site: http: //www.tecnologiaassistiva.com.br/
[2] Terapeuta Ocupacional, coordenadora do Centro de Terapia Ocupacional do Rio de Janeiro. Mestre em Educação.
Psicopedagoga.
[3] Informático pela UFRJ, e M. Sc. pela COPPE-UFRJ. Trabalha desde 1974 no Núcleo de Computação Eletrônica da
Universidade Federal do Rio de Janeiro. Hoje é o coordenador do Projeto DOSVOX
[4] O download do software Motrix pode ser feito pelo site: http://intervox.nce.ufrj.br/motrix/download.htm